sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

In the end, only kindness matters

Depois de quase quinze dias de hospital, meu avô faleceu quarta à noite.
Eu estava em casa num jantar do trio parada dura. Pra eles deve ter sido péssimo porque eles ficaram sem saber o que dizer (e não tem mesmo nada que ajude numa hora dessas) mas pra mim foi ótimo, porque eu não queria ficar sozinha de jeito nenhum. Eu já sabia que quando fui visitá-lo no CTI seria a última vez que o veria, e acho que passei a semana toda só esperando a notícia...
O enterro foi em Liberdade, devia fazer uns oito anos que eu não andava por lá. Ao contrário de Ouro Preto, que me lembra farras de adolescente, Liberdade foi a cidade onde passei a infância (pelo visto os últimos 8 anos eu estava ocupada em farras de adolecente. hehe). Foi bom encontrar a primaiada, os tios todos, tios avós, amigos da família. Saudade da casa da tia Lucília, do cheiro da cidade...
Como os Mendes são todos muito fortes e turrões, o velório e o enterro foram bem tranquilos. Acho que nunca vi um enterro tão cheio de paz. Teve tios que nem choraram. Que diferença do drama do enterro do vô Abê! Teve missa na casa da tia Lucília, depois encomendação na igreja, e pronto. Tudo simples, lindo e calmo.
A única pessoa que realmente ficou mal foi minha avó. Acho que até agora não caiu a ficha pra ela. Ela não quis ver o enterro, e me disse 'acho que estou sonhando'. Ela é a minha avó preferida de todas, sem nem comparação com as outras, e ainda é minha madrinha. Se eu fiquei triste ontem, foi por causa dela, da minha mãe, da tia Marly e da tia Bebel.
Depois do enterro ficamos sentados na varanda, contando casos de criança dos tios e dos primos, relembrando os livros da casa da tia Lucília e da tia Helena, lembrando das batatas que a gente ganhava do vô de Natal, das bricadeiras, de apelidos antigos - 'uva da vovó' foi top... mas tutuca não fica muito atrás. No final das contas, foi mais boa do que ruim a coisa toda.
Hoje vou pra SSA porque vamos trabalhar no final de semana... mas no final de semana que vem estou de volta pra almoçar na casa da vovó e tudo o mais.
***
Peguei uma carona com a Belzinha pra voltar pra BH hoje de manhã e vim pensando na vida. Adoro viagens de carro nas quais posso ficar quieta no meu canto olhando a paisagem. Agora que moro na Bahia posso dizer que o sul de Minas tem mesmo paisagens muito lindas.
Como esperado depois de um enterro, vim pensando que não dá mesmo pra se arrepender das coisas, e que a gente tem que viver tudo que tem pra viver, e que não vale a pena não jogar claríssimo com todas as pessoas que a gente gosta.
Dani, Lud, amo vocês, tá?

My hands are small, I know
but they're not yours, they are my own
and I'm never broken.

3 comentários:

Yoshi disse...

Meus sentimentos... também passei por isso há pouco, parece que minha avó esperou apenas passar meu casamento para falecer.

Natália Vaz disse...

Admiro e reconheço bastante uma pessoa que sabe analisar as coisas por um lado positivo, mesmo que pareça não existir.

Ele deve estar bastante feliz por isso, Delilah!

Abraços!

Lud disse...

Amo você também, Isinha! Muito muito muito!